Sala de Aula Invertida

Todo professor deseja que seus alunos aprendam aquilo que ensinam de maneira significativa, desenvolvendo habilidades que levem a um conhecimento profundo sobre os conceitos abordados em aula. Contudo, ensinar de maneira tradicional, com aulas expositivas, listas de exercícios e provas que exijam apenas reprodução daquilo que foi dito em aula, produz uma aprendizagem mecânica e superficial. Tal metodologia implica em diversas consequências negativas na compreensão do conteúdo. As implicações de tal metodologia são diversas; entre elas, destaca-se a desmotivação dos alunos frente ao conteúdo, além do fato dos alunos encararem as aulas como uma mera memorização, sem significados e sem nenhuma conexão com sua realidade. Aliado a isto, devido a pandemia em que vivemos, a desmotivação e passividade dos alunos frente às aulas expositivas torna-se ainda mais evidentes.
Por outro lado, podemos destacar que uma das funções da educação é fornecer aos estudantes elementos que proporcionem o desenvolvimento de conhecimentos sobre o mundo em que vivem. Assim, irão adquirir a competência de compreender e realizar escolhas criticamente.
Existe uma gama muito extensa de pesquisas que foram, e ainda vem sendo realizadas com o intuito de melhorar a educação. Pesquisas mostram que técnicas que proporcionam a interação em sala de aula fazem com que os alunos obtenham maior compreensão conceitual, quando comparados com alunos de aulas tradicionais. Cabe ao professor, então, buscar alternativas metodológicas na hora de preparar seu plano de aula. Sendo assim, ele necessita buscar formas de envolver os alunos ativamente em sala de aula.
Todavia, nem sempre o resultado dessas pesquisas é desenvolvido em sala de aula. Isso se deve, em parte, a aplicação de tais métodos envolverem grandes investimentos em infraestrutura, além de mudanças radicais nos métodos de ensino, aos quais os professores estão habituados.
Não obstante, existem metodologias de ensino que exigem mudanças sutis nas práticas pedagógicas utilizadas pelos professores em sala de aula. Uma dessas estratégias didáticas, que já vem sendo utilizada no Colégio João Paulo I a alguns anos, é a Sala de Aula Invertida, desenvolvida pelos professores Jonathan Bergman, Karl Fisch e Aaron Sams em meados 2007, cuja finalidade é ajudar os alunos a assumirem responsabilidade pela sua aprendizagem, além de investigar as dificuldades prévias do aluno em relação ao material a ser abordado em aula, de modo a permitir que o professor prepare aulas sob medida para aqueles alunos.
Em linhas gerais, o método envolve dois momentos principais: atividades pré-aula, que consistem em atividades de leitura e/ou resolução de problemas preparatórios para as aulas; e aulas expositivas interativas. Dessa forma, se busca maximizar a eficácia do aprendizado em aula, promovendo maior interação entre professores e alunos através da estruturação do tempo fora e dentro de sala de aula, por meio da proposta de atividades, de modo que adquiram uma quantidade máxima de conhecimentos ao final da disciplina.

As atividades de preparação que os professores apresentam aos alunos podem ser tanto a leitura do próprio livro didático ou textos disponíveis na internet, quanto a disponibilização de simulações e listas de exercícios, para realização por parte dos alunos extraclasse. Desse modo, se busca promover o estudo autônomo por parte dos alunos, fazendo-os assumirem a responsabilidade pela sua aprendizagem. Destaca-se aqui o papel de um ambiente de aprendizagem on-line onde as atividades de preparação serão realizadas, tornando o processo de ensino como um todo uma combinação entre os momentos em que o aluno estuda sozinho de maneira online e aqueles que ocorrem presencialmente com a turma, o chamado Ensino Híbrido.
Quando os alunos têm contato com determinado material antes da aula eles acabam por aprender mais com a exposição do professor, pois aprendem melhor quando sabem quando, onde e por que vão usar os conhecimentos que estão aprendendo. Assim, os materiais disponíveis na web servem como recursos de comunicação, organização e provimento de informação aos alunos,
O conhecimento das dúvidas e interesses dos alunos surgidas nas atividades preparatórias permite ao professor organizar o ensino de modo a atender às necessidades dos alunos, tornando as aulas mais eficazes. Consequentemente, durante as aulas os alunos participam mais ativamente seja apresentando suas impressões, dúvidas ou realizando atividades de resolução de problemas cooperativamente que têm a finalidade de desenvolver nos alunos habilidades de comunicação e pensamento crítico.
O ambiente virtual também pode ser utilizado em um período posterior às aulas, visto que o professor pode compartilhar o acesso a textos diversos sobre aquilo que foi visto em sala, representando um fator motivador ao estudo dos conteúdos apresentados. A combinação desses fatores leva a uma aprendizagem mais significativa, ocasionando em um maior engajamento em sala de aula.
Amparado na perspectiva que metodologias meramente transmissivas geram resultados de aprendizagem medianos por parte dos alunos e, que as novas tecnologias podem facilitar o processo de ensino, a proposta de uma metodologia mais interativa e que promova o desenvolvimento cognitivo do aluno através de uma aula sob medida, confere à Sala de Aula Invertida um importante papel nas aulas desenvolvidas no Colégio João Paulo I e na educação como um todo.
Todo professor espera, de fato, que seus alunos aprendam significativamente os conceitos por ele apresentados. Não se espera uma aprendizagem mecânica na qual o aluno simplesmente repete algoritmos de resolução de problemas. Almejamos uma aprendizagem na qual o aluno consegue aplicar os conceitos aprendidos em diversas situações sobre novos contextos, dessa forma uma educação de qualidade deve visar tal fato. Por fim, a Sala de Aula Invertida associada ao Ensino Híbrido pode ser definida por uma única palavra chave: engajamento. Palavra que se traduz nos alunos tornam-se ativos no seu próprio processo de aprendizagem.