O Ensino Híbrido nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental

Já faz algum tempo que falamos em ensino híbrido no ambiente escolar: metodologias ativas, sala de aula invertida, uso de tecnologia em momentos diversificados da rotina discente. A adesão a esse formato caminhava a passos lentos, visto que a tecnologia não parecia amigável para todos os docentes.


Lousa digital, portais de materiais virtuais, QR Codes com vídeos e conteúdo para consumo dos alunos. Todos esses recursos estavam à disposição e eram usados eventualmente na escola, alguns professores mais familiarizados utilizavam mais; outros, menos familiarizados, usavam de forma esporádica.


O impacto da pandemia

Eis que se apresenta a pandemia do novo coronavírus e, de súbito, precisamos absorver totalmente a tecnologia em nossa rotina educacional. Em poucos meses, o corpo docente dominava os antes assustadores editores de vídeos, ferramentas digitais, plataformas de vídeo, usava redes sociais e demais recursos on-line para engajar os alunos nas tarefas escolares.



 

Essa nova realidade mudou muitas coisas, mas os novos recursos, num primeiro momento, serviram apenas para levar a sala de aula tradicional até a casa dos alunos.



O retorno ao formato presencial e o ensino híbrido

É com a volta do ensino presencial, mesmo que parcial, que poderemos, de fato, colocar as aprendizagens desenvolvidas no rastro da pandemia em prática. Muito além de mesclar aulas presenciais e on-line, o ensino híbrido busca ampliar as frentes de ação para propiciar momentos de aprendizagem aos alunos. Conceder aos estudantes o papel de protagonistas, que tomam as rédeas de suas aprendizagens é o grande desafio desse formato híbrido.


Semelhante ao que acontece nas redes sociais e na comunicação pela internet, chamada pelo grande estudioso de mídias Henry Jenkins de cultura da convergência, os alunos não apenas consomem conteúdos oferecidos pelos professores, mas produzem conteúdos com seus pares e professores enquanto desenvolvem competências e habilidades. Jenkins afirma que a partir dos recursos tecnológicos e artefatos midiáticos, “cada um de nós constrói a própria mitologia pessoal, a partir de fragmentos de informações [...] transformados em recursos através dos quais compreendemos nossa vida cotidiana” (JENKINS, 2009, p. 30). Em outras palavras, nos tornamos atores principais de nossas aprendizagens.


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Os desafios que vêm pela frente

Ao mesmo tempo em que muitas novas aprendizagens aconteceram durante esse período de isolamento e ensino remoto, muitas dificuldades também se apresentaram. Nem todos os encantos tecnológicos foram capazes de engajar plenamente alunos pequenos, que precisam do contato presencial, da socialização, da convivência com os colegas.


Algumas (muitas) lacunas ficarão após essa jornada repleta de percalços. E é aí que teremos a oportunidade de conhecer os atributos das metodologias ativas, da sala de aula invertida e de todas as ferramentas tecnológicas que caracterizam o ensino híbrido. De acordo com Lilian Bacich (Doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano pela USP), “as tecnologias digitais favorecem a personalização, na coleta de dados e na identificação de quem são esses alunos, quais são suas dificuldades e facilidades, e como as experiências de aprendizagem podem melhor atender ao objetivo de desenvolver habilidades e competências. "

Dessa forma teremos, nesse novo formato, recursos bastante ricos para lidar com as sequelas de uma pandemia das proporções da que vivemos em 2020 e que, provavelmente, continuaremos experienciando em 2021.

Nas últimas semanas desse ano letivo, nas quais estamos vivenciando o ensino presencial mesclado com o ensino remoto, estamos construindo valiosos saberes, que nos acompanharão em nossa jornada escolar no futuro.




Referências


BACICH, Lilian. Ensino híbrido: muito mais que reunir aulas presenciais e remotas. Inovação e educação. Página da Web. Disponível em https://lilianbacich.com/2020/06/06/ensino-hibrido-muito-mais-do-que-unir-aulas-presenciais-e-remotas/ acesso em 9/12/2020


JENKINS, Henry. Cultura da Convergência. Aleph, 2009.