Dicas de História do Professor Marcos Machry para o Enem 2020

África do Sul e o Apartheid

 

Um assunto bastante recorrente nas provas do Enem refere-se ao regime do Apartheid estabelecido em meados do século XX na África do Sul. A temática é importante não somente pela sua importância histórica, alusiva ao processo de formação da nação sul-africana, mas também pela dimensão internacional que o regime segregacionista evidenciou, sendo exemplo incontroverso de racismo e violação dos Direitos Humanos.

 

O início do processo de segregação e injustiça com a população negra da África do Sul começa em 1910, com a criação do país, ainda sobre ingerência do Reino Unido, que só aceitou a independência total da região em 1933. Nestas primeiras décadas, a população branca ficou com a maior parte das terras e retirou os direitos políticos, sociais e econômicos das populações não brancas, isto é, negros e outros povos, como indianos. Os negros eram mais de 75% da população e ficaram com apenas 7,3% das terras.

 

O sistema do apartheid, contudo, somente foi oficializado depois da Segunda Guerra Mundial, em 1948, por parte do Partido Nacional, controlado pelos Afrikaners – como eram chamados os brancos nacionalistas defensores do Apartheid. Com o novo sistema, era proibido os casamentos interraciais; ficava vetada a partição política, a livre circulação e a livre moradia, ocasionando assim o surgimento dos bairros para população negra, conhecidos como Bantustões.

 

O regime racista recebeu apoio de potências como os EUA e a Inglaterra, apesar da resistência e luta da maioria da população sul-africana. O Congresso Nacional Africano (CNA), organização que unia diversos segmentos contra o Apartheid teve como uma de suas lideranças Nelson Mandela. Na década de 60, Mandela foi preso e condenado a prisão, onde ficou por 27 anos.

 

Em 1988, tropas cubanas e angolanas venceram o exército sul-africano na batalha de Cuito Cuanavale. Esta derrota foi considera por muitos – inclusive por Mandela - como o “princípio do fim do apartheid”. Dois anos depois, sofrendo de derrotas militares, pressões internas e externas, o presidente Frederik de Klerk, representante do Partido Nacional, começou a desmantelar o regime racista da África do Sul. Os direitos aos poucos foram restabelecidos e em 1994, na primeira eleição livre do país, na qual votaram igualmente brancos e negros, Nelson Mandela foi eleito presidente. Em 1997, finalmente, promulgou-se uma nova constituição com igualdade de direito entre todas as etnias do país.

 

Imperialismo e Neocolonialismo

 

Um ponto bastante recorrente nas provas do Enem diz respeito ao uso dos conceitos de Imperialismo e Neocolonialismo para entender os séculos XIX e XX. O estudante deve estar atento para a conexão entre esses elementos e a expansão econômica capitalista no período.

 

A busca das potências europeias por matéria-prima e mercado consumidor construiu novas formas de dominação e reorganizou a geopolítica mundial. A segunda metade do século XIX caracterizou-se pela expansão acelerada do capitalista na Europa, substituindo antigas relações de trabalho e de propriedade por novos elementos modernos, oriundos de uma sociedade industrializada e urbanizada. Essas transformações erigiram novas necessidades das potências imperialistas sobre as sociedades periféricas.

 

 O neocolonialismo, portanto, corresponde ao retorno de práticas colonialistas dos séculos anteriores, porém modificadas e ampliadas. Os países colonizadores, isto é, os países que vão tomar outros territórios e explorá-los intensivamente, ainda são os europeus; no entanto, soma-se a eles uma antiga colônia, os Estados Unidos, e um país asiático que se fortaleceu no fim do século XIX, o Japão. Se antes era o Novo Mundo onde atuavam majoritariamente os colonizadores, agora este espaço abrange principalmente a África, mas também a Ásia, a Oceania e a América Latina. A procura por novos territórios ocorre porque, diante de uma situação de grande crescimento econômico (produção), a Europa precisa de novos mercados consumidores, matérias primas e fontes de energia.

 

O imperialismo é um conceito mais abrangente que se refere ao domínio de um país/nação/estado sobre outro. O imperialismo é sustentado por uma ideologia, isto é, para que o imperialismo avance sobre territórios e populações é necessário que se crie uma série de significados e sentidos que justifiquem a dominação. No discurso imperialista das potências do século XIX, estava embricada a ideia de superioridade racial branca sobre os demais povos, algo que se situa dentro do Darwinismo Social e da Eugenia. Justificava-se que, como os povos do Norte eram superiores, cabia a eles o “fardo” de levar a civilização aos rincões “atrasados” do mundo, mesmo que isso significasse guerra, violência, escravidão e pobreza.

 

Em 1885, na Conferência de Berlim, as potências europeias reuniram-se, juntamente com representantes dos Estados Unidos, para fazer a partilha da África conforme seus interesses nacionais. Além de regulamentar a exploração dos territórios, a navegação dos rios, entre outros temas, cada país exigiu oficialmente porções do território continental, sem consultar em momento algum os africanos. Esta partilha não respeitou nem as fronteiras traçadas pelos povos locais nem as diferenças culturais: simplesmente agrupou no mesmo território povos inimigos ou sem qualquer identificação cultural. A França e a Inglaterra foram as maiores beneficiadas com a partilha do território africano, sendo o restante dividido entre outras potências.

 

Somente em meados no século XX a luta anti-colonial dos povos africanos e asiáticos conseguiu expulsar as potências imperialistas de seus territórios. Países como Argélia, Angola, Moçambique, Filipinas, Vietnã, Índia, entre outros, lutaram durante décadas, ao custo de milhões de vidas, para conseguir as independências nacionais e o fim do neocolonialismo.

 

Professor Marcos Machry

 

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