Dicas de Filosofia do Professor Luciano Brito para o Enem 2020

ÉTICA PARA O ENEM 

 

A ética é a área da filosofia que investiga os diferentes sistemas morais e seus pressupostos (isto é, os valores). Ela também é uma filosofia prática na medida em que procura orientar o dever ser das condutas humanas a partir da razão filosófica. 

Para as questões de ética no Enem, lembre de Aristóteles e sua ética voluntarista (ou ética das virtudes). Para o mais famoso discípulo de Platão, uma vida ética consiste  em tornar as virtudes um hábito. Por meio de uma vida de virtudes o ser humano pode alcançar a felicidade (eudaimonia), fim último das ações humanas. A melhor escolha para Aristóteles é aquela que se orienta pela justa medida apontada pela razão; isto é, a escolha virtuosa é aquela mais equilibrada: a que busca pelo termo médio, o meio termo ou o “caminho do meio”. 

 

O Imperativo Categórico de Immanuel Kant: o dever pelo dever 

 

A ética deontológica ou ética do dever do filósofo iluminista alemão Immanuel Kant tem como princípio o Imperativo Categórico, segundo o qual a melhor escolha é aquela que se orienta estritamente pelo dever, de modo incondicional. O valor moral de uma ação reside, portanto, em si mesma; isto é, a única motivação do agente diante dos dilemas morais deverá ser o dever ditado pela razão (consciência do dever). Para Kant, a razão é um  predicado universal dos seres humanos e, por conseguinte, a melhor escolha será aquela que puder ser universalizada e praticada por todos os seres racionais sem prejuízo da humanidade. Age de tal modo que a máxima da tua ação se possa tornar princípio de uma legislação universal, eis uma das sentenças kantianas. Cabe ao indivíduo educar sua vontade a fim de atingir a boa vontade, estado moral de autêntica autonomia e liberdade. Kant lembra-nos ainda que os seres humanos devem ser tratados com um fim em si mesmo, nunca como um meio. 

 

TEORIA DO CONHECIMENTO PARA O ENEM 

 

A teoria do conhecimento, cuja área da filosofia é denominada epistemologia, é a reflexão filosófica acerca das possibilidades, validade, justificação e origem do conhecimento. De modo geral, conhecimento é resultado da relação entre um sujeito (o cognoscente) e um objeto (o cognoscível). O sujeito visa a apreender a estrutura essencial do objeto e suas determinações. O conhecimento filosófico e científico almeja reproduzir no plano ideal (teoria) o movimento real do objeto. A verdade (ou validade) do conhecimento reside na  correspondência entre pensamento e realidade. Desde a antiguidade clássica, os primeiros filósofos se ocuparam de tratar das possibilidades do conhecimento: os sofistas consolidaram uma postura relativista diante da realidade, afirmando que não é possível o acesso à uma verdade absoluta e universal (o homem é a medida de todas as coisas, sentenciou Protágoras de Abdera); para Sócrates no entanto, a missão da filosofia é revelar a verdade do mundo para os homens por meio da dialética (diálogos socráticos ou maiêutica); a metafísica idealista de Platão apresentou o mundo inteligível como fonte de todo o conhecimento verdadeiro (o mundo sensível é ilusório); Aristóteles, por outro lado, em sua metafísica materialista, afirmava que só há um mundo – o mundo material – e que o conhecimento deve começar pelos dados obtidos pela experiência (empiria, em grego). 

 

Era moderna: racionalismo e empirismo 

 

Inspirada pelo contexto da revolução científica da era moderna, a filosofia se voltou para o problema do conhecimento. As crescentes inovações técnicas e os avanços das ciências da natureza instigaram os filósofos do período a buscarem um caminho seguro que pudesse fundamentar o conhecimento científico. Duas correntes epistemológicas antagônicas se apresentaram: o racionalismo e o empirismo. A primeira afirmava a primazia da razão no processo de produção do conhecimento, em detrimento das informações sensíveis. O método fundamental deveria ser a dedução, o qual consiste no confronto de premissas rumo a uma conclusão, procedimento inteiramente intelectual, sem o concurso dos sentidos. René Descartes afirmou: penso, logo exito (cogito ergo sum), conferindo à razão o papel de alicerce de todo o conhecimento humano. A segunda corrente afirmava ser a experiência o ponto de partida fundamental do saber científico. Alinhado às ciências experimentais, o empirismo defendeu o método indutivo, procedimento baseado na observações e experimentações de diversos casos particulares com vistas a alcançar uma regra geral sobre tais fenômenos. John Locke afirmou: a mente é uma tábula rasa,  conferindo à experiência sensível a origem da formação das ideias. 

 

Kant e a revolução copernicana do conhecimento. 

 

Promovendo uma síntese do racionalismo e do empirismo, bem como uma superação da dicotomia entre elas, Immanuel Kant defendeu a investigação das condições nas quais se dá a produção do conhecimento na mente humana. O criticismo ou apriorismo de Kant afirma que não conhecemos o ser em si, mas o ser para nós; isto é, o conhecimento é condicionado por estruturas mentais a priori de sensibilidade e de entendimento. Essas estruturas regulam respectivamente a experiência sensorial e a compreensão das coisas, determinando a forma como percebemos e compreendemos a realidade exterior à consciência. 

 

Professor Luciano Brito 

 

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