Concurso de Redação 2020: 1º lugar (categoria 2)

A comemoração do século 

 

Por Ana Júlia Marks

Ruas apinhadas de gente. Máscaras sendo arremessadas para longe e gritos de evidente alegria vindos de todos os lados. Pessoas emergindo da solidão e da monotonia de suas residências para comemorar nas ruas as últimas notícias acerca da pandemia, que parece, finalmente, ter chegado ao fim. Foi esse o comportamento adotado pela capital rio-grandense após anunciada uma vacina eficaz contra o coronavírus, desenvolvida por uma equipe de médicos ucraniana. 

 Às dezenove horas e quarenta e seis minutos do dia 3 de julho de 2020, as programações até dos mais remotos canais televisivos foram interrompidas para anunciar a fabricação de uma vacina que se mostrou perfeitamente eficiente em prevenir a transmissão do novo coronavírus e, consequentemente, seu rápido alastramento. A vacina, segundo os médicos ucranianos que a desenvolveram, representaria definitivamente o término da pandemia que assolou o mundo no ano final desta década. 


Cansadas do longo isolamento social, pessoas, ao redor de todo o mundo, decidiram, por fim, abandonar suas casas para comemorar a vitória contra o coronavírus. Aquelas que não foram às ruas aplaudiram de suas sacadas, e fogos despontaram no céu de Porto Alegre, assim como no de tantas outras capitais ao redor do planeta. Não se havia mais visto o mundo inteiro em tal estado de fervorosa comemoração desde o fim da famigerada Segunda Guerra Mundial, após a rendição da Alemanha Nazista aos Aliados, em 1945, afirmam os historiadores. 


Em meio aos frenéticos aplausos e à comoção geral ocasionada pela notícia, destacou-se aos olhos de nossa equipe jornalística, a qual apurava a história no centro de Porto Alegre, uma mulher que parecia chorar, muito tocada, em frente à Santa Casa. A mulher era Maria do Carmo, 46 anos, enfermeira que atuou na linha de frente ao combate ao coronavírus, e, quando lhe perguntamos sobre sua reação, ela respondeu: “Agora, finalmente, poderei abraçar meus filhos”. 

 

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*Em todas as edições da Feira, entre as atividades propostas aos alunos está o Concurso de Redação. Este ano, após uma Oficina de Redação, em parceria com o Curso de Jornalismo da ESPM, a proposta, em tom de esperança, foi inspirada no dia em que multidões foram às ruas para celebrar o final da Segunda Guerra Mundial. Alunos exercitaram a redação de um texto jornalístico, simulando uma cobertura sobre a reação das pessoas após a suposta descoberta de uma vacina contra o Covid-19. Este é um dos nove textos vencedores.