Categoria 3 - 2 º Lugar - Bruna Liberatto

Caro Ray Bradbury, 

 

Seu livro Fahrenheit 451 não sai da minha cabeça desde quando eu descobri que uma das leituras obrigatórias do colégio seria uma distopia sobre um mundo em que os livros são proibidos e, por consequência, queimados. Falo isso justamente porque, mesmo antes de tê-lo lido, ele já estava em meus pensamentos e me despertava muita curiosidade.

 

É extraordinário o jeito como o senhor construiu essa sociedade futurística, em que os livros são considerados ameaças, pois são vistos como meios de entristecimento, perturbação e improdutividade das pessoas, o que as torna seres submissos, superficiais, alienados e facilmente manipuláveis. No entanto, surpreendentemente, essa censura não teve iniciativa de nenhum governo, mas sim da maioria dos cidadãos, que resolveram abrir mão da própria liberdade e do direito de ler em prol de uma sociedade sem conflitos. Há também outros elementos que reforçam a sua criatividade: por exemplo, o título, que faz referência à temperatura na qual o papel é queimado, e a função dos bombeiros, que, contraditoriamente à realidade, é incendiar os objetos, principalmente os livros. Entretanto, durante a narrativa, fica perceptível que, quando um livro é queimado, não é apenas uma coisa material que é destruída, mas também ideias, pensamento crítico e liberdade de expressão. 

 

De fato, é admirável o que senhor conseguiu fazer e com tanto primor: um romance que  não acaba quando todas as páginas foram lidas. As diversas críticas existentes despertam inquietações, angústias e várias reflexões, que perduram por dias, sobre, por exemplo, a individualidade, a liberdade, a alienação e a maneira como o conhecimento e a leitura podem transformar toda a comunidade. Além disso, considero a possibilidade de estabelecer inúmeras semelhanças com a sociedade contemporânea um dos maiores méritos da sua obra, porque as temáticas abordadas permanecem atuais apesar de terem sido escritas na década de 50.  

Sendo assim, é nítida a gratidão que tenho ao senhor e ao Fahrenheit 451 por todos os ensinamentos que me foram proporcionados em virtude de sua genialidade.  

Com carinho,

 

Bruna Mattos.