Categoria 2 - 2 º Lugar - Laís Regina Becker

Caro Markus Zusak,

 

Faz algumas horas que terminei de ler A menina que roubava livros e parece que a minha vida não faz mais sentido. É impressionante como a união de certas palavras em uma certa ordem é capaz de transportar alguém para um mundo à parte. Começar a ler um livro é como abrir uma porta em direção ao desconhecido. Com o virar das páginas, tudo em volta começa a ganhar forma: surgem lugares belos e sombrios, com cores, cheiros e paisagens, e personagens com histórias e temperamentos únicos. E bons livros, como o seu, fazem o leitor sentir-se parte desse lugar, compartilhar de cada momento de tensão e de alívio e se apegar aos personagens de tal maneira que é quase impossível não derramar algumas lágrimas quando a história termina, como se tudo naquele novo mundo de repente paralisasse para sempre. 

 

Foi assim que me senti acompanhando a narração da Morte, que na verdade é bem mais amável do que eu imaginava. Conheci a pequena Liesel e o mundo complicado ao seu redor, como órfã na Alemanha em plena Segunda Guerra Mundial. Fiquei muito feliz quando ela foi adotada por Hans e Rosa Hubermann, pessoas de bom coração no meio de um contexto tão mau, e observei com carinho a amizade entre ela e seu pai crescendo à medida que ele a ensinava a ler. Senti na pele a tensão cada vez que ela roubava um novo livro, e um grande alívio quando ela voltava para casa despercebida e se deliciava com a leitura em seu porão. Me afeiçoei ao seu amigo Rudy e a suas brincadeiras e compartilhei da aflição da família Hubermann quando tiveram que esconder um perigoso segredo em sua casa. Por fim, chorei como uma criança com o trágico acontecimento que o destino reservou a Liesel, mas, apesar da dor, me senti grata por ter vivenciado essa história junto com cada personagem. 

 

Obrigada por dar a nós, leitores, a oportunidade de, por alguns momentos, viver em um país e em uma época diferentes, conhecer pessoas incríveis e experimentar grandes emoções! Como disse George R. R. Martin, "eu vivi mil vidas e eu amei mil amores. Eu andei em mundos distantes e vi o fim dos tempos. Porque eu li."

 

Grande abraço,

Laís Regina Becker