Abolição da Escravatura

A abolição da escravidão foi um tema presente no debate político no Brasil durante o século XIX. Em 1850, em resposta à pressão dos ingleses, foi aprovada a Lei Eusébio de Queirós, que proibia o tráfico negreiro. Outras leis abolicionistas foram a Lei do Ventre Livre e a Lei dos Sexagenários

 

Enquanto os escravos resistiam, organizando fugas e revoltando-se contra seus senhores, os movimentos abolicionistas se organizavam divulgando panfletos e promovendo conferências. A abolição finalmente ocorreu em 13 de maio de 1888, com a Lei Áurea assinada pela princesa Isabel.

 

Mas a abolição da escravatura no Brasil não foi resultado da benevolência do Império. Essa conquista foi resultado do engajamento popular. Ela também não apagou as consequências dos 300 anos de escravidão em nosso país.

 

Nas palavras do escritor Laurentino Gomes:


"Na verdade, tudo o que o Brasil fez foi se livrar da mancha da escravidão, que comprometia sua imagem internacional no fim do século 19. No entanto, o país abandonou sua população afrodescendente à própria sorte. Há um desnível imenso entre os descendentes de europeus e descendentes de africanos no Brasil. E isso vale para qualquer item – renda, moradia, educação, insegurança. Olhe para as periferias, olhe para as favelas, olhe para os presídios. Os negros estão sempre nas piores condições. Os mais importantes cargos da administração pública, os diretores de empresas privadas, os professores de universidades, escritores, médicos, advogados, diretores de cinema e teatro – basta olhar, quase nunca são negros. O que é absurdo, vista a importância central da presença do negro na cultura, na política e na economia nacionais. Tudo isso deixa muito claro que a escravidão e o preconceito resultante dela permanecem no DNA da sociedade brasileira".


retrato de homem negro feito por Alberto Henschel restaurado por Marina Amaral


O homem de cabelos grisalhos e olhar triste na foto foi retratado pelo fotógrafo alemão Alberto Henschel, no Brasil, por volta de 1869, dezenove anos antes da Lei Áurea. O retrato à direita foi restaurado e colorido pela artista brasileira Marina Amaral e é uma das 22 fotografias que a artista recuperou para sua série "Escravidão no Brasil".